The loneliness you feel with another person, the wrong person, is the loneliest of all.
- Deb Caletti (via kari-shma)
É que às vezes, preciso despir essas amarras, desvencilhar-me dessas correntes envoltas nos pensamentos que penso que pensam.
Esses espasmos, delírios, desavenças, receios, anseiam por esse alvedrio, ainda que súbito e sombrio. Não caberiam nesse obscuro por mais delongas. Então lhes dou um lampejo e se dão por satisfeitos. Por enquanto.
Previsível, detesto ser decifrável, comum. Poderia mentir, mas não vejo muito sentido, aqui é um lugar tão particular, privado, só meu. Se algo te trouxe – além da impetuosa bisbilhotice – a derramar seus segundos diante de um emaranhado de letras e ideias tão confusas quanto efêmeras, que o faça.
Não escrevo para conquistar, surpreender, fascinar. Escrevo porque transbordo.
Não para arrebatar, vitimizar, solidarizar, emocionar. Escrevo porque enfastio.
Canso-me.
Verter-me alivia os efeitos da toxina que ricocheteia nesses nefastos neurônios.
Esvazio. No vazio, descanso, enfim.
(Source: ribeironathana)
“Que coisa mais triste é perder um amigo”.
Seus olhos imploravam uma mentira. Mas não um aleive qualquer. Uma mentira linda, revestida de verdade, de amor. Afagadora, seria mentira amável, apaziguadora. Uma mentira adocicada, capaz de arrancar aquele amargo encravado no peito. Transmuta o sal da lágrima em risos de açúcar. O vermelho do olhar marejado na alvura de nuvens celestiais.
Não, não era uma mentira. Era uma verdade idealizada.
“Não perdeste teu amigo. Ele será teu para sempre, eternizado em lembranças felizes, em sorrisos, na cumplicidade sincera, na serenidade da confiança, forjadas em tua mente e coração. Amizade de verdade é assim”.
Queria que fosse. Não, não é.
Um consolo; outro, desalento.
Silenciaram.
Naufragou nos abismos mais inóspitos, revisitando lembranças sepultadas. Renascendo memórias esquecidas, amizades, paixões, inocências… Todas perdidas naquele oceano gélido e morto. Não poderia mais subir. Cadáveres o içavam para as profundezas mais obscuras.
Naquele cemitério, se deparou com todos os seus piores algozes. As quimeras assassinadas, os sonhos desprezados, as frustrações ricocheteando erros ensurdecedores nos ouvidos. Amizades, amores, ambições… Nada escapara à chacina; todos haviam sido afogados pela grandiosa pequenez das limitações, da incompetência, comodismo. As almas injetavam um veneno lúgubre, que adentrara cada recôndito do organismo.
Os alvéolos murchavam vagarosamente, tais flores que se fecham no crepúsculo. O coração esforçava-se em vão para preencher de encarnado aquele negrume que o invadia. Em vão. As pálpebras entregam-se e cerram, enfim. Porém, antes, tornaram tangível a derradeira emoção que não cabia naqueles restos mortais.
Uma lágrima.
Inesperadamente, era de luz.
A maioria dos dramas está nas ideias que formamos das coisas. Os acontecimentos que nos parecem dramáticos são apenas assuntos que a nossa alma converte em tragédia ou em comédia, à mercê do nosso caráter. Balzac
Photo: Paddle Faster, Great White Shark, South Africa
Liberdade
Era um completo estranho para mim. Os olhos insaciáveis (exigindo-me o impossível) eram completude no meu esfacelado; calmaria na tormenta de mim. Mirei-os tanto…A ponto de não saber se eram meus ou dele (espelhavam minh’alma). Agora, completos estranhos. Aqueles lábios - outrora extensão da minha boca - tornaram-se tão externos, distantes, intangíveis. Aquele corpo, cada recanto, era tão meu que tornava-se eu. Eu não era dele, ele não era meu. Éramos. Eu era ele; ele, eu. E agora, não sabia mais quem era; me perdi dentro daquele outro eu e não sei por onde andei. Não me reconheço nele. Tornara-se um completo estranho para mim. E às vezes, quando o olhava, me apaixonava. Não por aquele desconhecido; por mim. Por que sabia que estava perdida, em algum lugar inóspito, dentro dele. Fui de encontro a ele, ao meu encontro. Mas não me encontrei fora de mim. Nele. Me perdi. Procurei em cada olhar, corpo, cada recanto, concavidade, cada lábio, fissura, cada coração. Em vão. Sabemos que permanecemos um dentro do outro. Lá estou, aprisionada àquele estranho, presa a mim. Uma crisálida. Prisão que não me cabe: liberdade.
“Por que ter pudor no Carnaval e não na praia? Aí está o biquíni, que é a forma mais desesperada da nudez. Como é triste o nu que ninguém pediu, que ninguém quer ver, que não espanta ninguém. O biquíni vai comprar grapete e o crioulo da carrocinha tem o maior tédio visual pela plástica nada misteriosa. E aí começa a expiação da nudez sem amor: - a inconsolável solidão da mulher.”
Nelson Rodrigues
SUPER BOBOCA: o que eu faço?
SUPER SINCERO: acho que tá bem claro, né?
SUPER BOBOCA: não exatamente
SUPER SINCERO: pq a pessoa quando se apaixona fica boboca?
SUPER BOBOCA: parto da prerrogativa de que quem quer vai atrás? é isso?
SUPER SINCERO: eu tenho duas pizzas
SUPER BOBOCA: EU SOU BOBOCA
SUPER SINCERO: tô comendo a de chocolate. a de queijo tá lá. eu tô comendo a de chocolate, nem encosto na de queijo..
SUPER BOBOCA: eu sou a pizza de jiló
SUPER SINCERO: “Será que aquele rapaz vai querer a pizza de chocolate ou a de queijo??”
SUPER BOBOCA: jiló com pimenta malagueta. eu sou boboca. eu sou boboca. bullying. auto bullying.
SUPER SINCERO: a regra é clara. se eu tô ficando com o chocolate e não tô ficando com o queijo. posso ficar com os dois, mas fico com o chocolate. será que quero queijo? vc quer que seja sincero ou agradável ?
SUPER BOBOCA:já entendi. eu sou a pizza de jiló estragado. Com pimenta malagueta.
SUPER SINCERO: vc tem mania de querer complicar, contextualizar, justificar o que é muito simples.
SUPER BOBOCA: é bem simples. resumo: QUEM EU QUERO NÃO ME QUER. QUEM ME QUER MANDEI EMBORA.
SUPER SINCERO: morrendo de sono…
SUPER BOBOCA: valeu pela super sinceridade mode on. te odeio pra sempre.